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Mostrando postagens de setembro, 2012

O Eu Profundo

Meu senso íntimo predomina de tal maneira sobre meus cinco sentidos que vejo coisas nesta vida - acredito-o - de modo diferente de outros homens. Há para mim - havia - um tesouro de significado numa coisa tão ridícula como uma chave, um prego na parede, os bigodes de um gato. Há para mim uma plenitude de sugestão espiritual em uma galinha com seus pintinhos, atravessando a rua, com ar pomposo. Há para mim um significado mais profundo do que as lágrimas humanas no aroma do sândalo, nas velhas latas num monturo, numa caixa de fósforos caída na sarjeta, em dois papéis sujos que, num dia de ventania, rolarão e se perseguirão rua abaixo. É que a poesia é espanto, admiração, como de um ser tombado dos céus, a tomar plena consciência de sua queda, atônito diante das coisas. Como de alguém que conhecesse a alma das coisas, e lutasse para recordar esse conhecimento, lembrando-se de que não era assim que as conhecia, não sob aquelas formas e aquelas condições, mas de nada mais se recordando.

AS CIGARRAS COMEÇARAM A CANTAR

AGORA, A CHUVA VEM! MAS QUE VENHA BREVE... QUE ME LAVE TAMBÉM A ALMA E ME DEIXE LEVE. CHUVA BRANDA, CHUVA FORTE QUALQUER UMA ME SERVE. DESDE QUE SEJA BREVE. NÃO QUERO MAIS A POEIRA O PÓ NAS ESTRADAS. QUERO UMA CHUVA BRANCA DIÁFANA, FEITO NEVE. NÃO HÁ NADA MAIS QUE ME ENLEVE, ALÉM DA CHUVA. E EU QUERO A CHUVA. UMA CHUVA QUE, A MIM, SE ME REVELE. SEM PUDOR E COM CARÍCIA DESDE DE QUE SEJA BREVE.