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Hoje é um daqueles dias em que eu me acordo com a sensação de que algo estranho e até indesejado pode acontecer. Tenho uma intuição latente, uma coisa esquisita que me avisa, me premune de que eu devo fazer ou deixar de fazer algo. O problema é que nem sempre consigo dar o direcionamento correto, mesmo que a coisa esteja gritando no meu ouvido, faça isso, não faça... enfim, eu fico "tastaviando" tentando saber de onde o galo cantou e nada. Odeio isso, porque depois que a onda passa eu penso: eu sabia, eu devia ter atendido a minha intuição e coisa e tal, mas que raio de intuição é essa? Será que intuição é isso mesmo? Será que tem gente que consegue ter a exata percepção das mensagens que o cosmos está enviando? Sinceramente, acho tenho muito o que aprender sobre mim mesma e sobre as minhas conexões internas mesmo.
Intervalo amoroso O que fazer entre um orgasmo e outro, quando se abre um intervalo sem teu corpo? Onde estou, quando não estou no teu gozo incluído? Sou todo exílio? Que imperfeita forma de ser é essa quando de ti sou apartado? Que neutra forma toco quando não toco teus seios, coxas e não recolho o sopro da vida de tua boca? O que fazer entre um poema e outro olhando a cama, a folha fria? Affonso Romano de Sant’Anna

A Espera

O nada tece a conta                                     - no seu tempo. O tempo conta                                     - não há nada! O nada conta                                     - enquanto tece o tempo. O tempo tece...                                    - não encontra nada...

O Eu Profundo

Meu senso íntimo predomina de tal maneira sobre meus cinco sentidos que vejo coisas nesta vida - acredito-o - de modo diferente de outros homens. Há para mim - havia - um tesouro de significado numa coisa tão ridícula como uma chave, um prego na parede, os bigodes de um gato. Há para mim uma plenitude de sugestão espiritual em uma galinha com seus pintinhos, atravessando a rua, com ar pomposo. Há para mim um significado mais profundo do que as lágrimas humanas no aroma do sândalo, nas velhas latas num monturo, numa caixa de fósforos caída na sarjeta, em dois papéis sujos que, num dia de ventania, rolarão e se perseguirão rua abaixo. É que a poesia é espanto, admiração, como de um ser tombado dos céus, a tomar plena consciência de sua queda, atônito diante das coisas. Como de alguém que conhecesse a alma das coisas, e lutasse para recordar esse conhecimento, lembrando-se de que não era assim que as conhecia, não sob aquelas formas e aquelas condições, mas de nada mais se recordando. ...

AS CIGARRAS COMEÇARAM A CANTAR

AGORA, A CHUVA VEM! MAS QUE VENHA BREVE... QUE ME LAVE TAMBÉM A ALMA E ME DEIXE LEVE. CHUVA BRANDA, CHUVA FORTE QUALQUER UMA ME SERVE. DESDE QUE SEJA BREVE. NÃO QUERO MAIS A POEIRA O PÓ NAS ESTRADAS. QUERO UMA CHUVA BRANCA DIÁFANA, FEITO NEVE. NÃO HÁ NADA MAIS QUE ME ENLEVE, ALÉM DA CHUVA. E EU QUERO A CHUVA. UMA CHUVA QUE, A MIM, SE ME REVELE. SEM PUDOR E COM CARÍCIA DESDE DE QUE SEJA BREVE.
"Nada há de te fazer parar quando segues o caminho que faz teu coração vibrar."
Não fosse hoje uma sexta feira de mentira Véspera de feriado Eu te mandaria um bilhete pedindo pra chegar com a urgência possível Com a urgência dos grandes negócios A urgência do cio das cadelas Das rondas noturnas Dos pedidos de volta Não fosse hoje dia de chuva De terra encharcada Eu te proporia um seqüestro com o segredo possível ( poesia em construção)